Relatório da Universidade Eduardo Mondlane em parceria com universidades estrangeiras mostra que as indústrias transformadoras estão a perder empresas. Entre os motivos estão a crise da dívida e a desvalorização cambial.

O sector das indústrias transformadoras em Moçambique está a perder empresas e as que resistem estão a cortar empregos, mostra um estudo realizado pela Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, em parceria com universidades estrangeiras.

A crise de dívida externa e uma forte desvalorização da moeda em 2015 fizeram o desempenho macroeconómico de Moçambique “atingir um ponto crítico”, assinala o Inquérito às Indústrias Manufactureiras (IIM) 2017. O estudo foi conduzido pelo Centro de Estudos de Economia e Gestão (CEEG) de Maputo, o Grupo de Pesquisa em Economia do Desenvolvimento (DERG) da Universidade de Copenhaga, e a United Nations University World Institute for Development Economics Research (UNU-WIDER).

A dimensão média das empresas “diminuiu de 20 trabalhadores em 2012 para 14 em 2017”, refere-se a pesquisa que abrangeu 523 firmas no último ano. A redução da massa laboral resultou numa perda total de 5.100 postos de trabalho nas 831 empresas entrevistadas – 28% delas, estudadas no mesmo trabalho em 2012, já tinham fechado portas em 2017, detalha o relatório.

Estes encerramentos ao longo de cinco anos terão arrastado outros 4.300 empregos, acrescenta o estudo. Ao todo, 9.400 postos de trabalho desapareceram. “As condições difíceis também se refletem nas perceções dos proprietários das empresas sobre o desempenho das suas empresas”, refere-se nas conclusões.

Quase 20% dos proprietários das empresas “disseram que sofreram grandes perdas em 2016, quase três vezes mais do que em 2011”. Além disso, elas têm dificuldade em receber matérias-primas, que “são muitas vezes de baixa qualidade ou em falta”, obrigando a paragens na produção.

Poucas exportações

Ainda assim, há indicadores que mostram que “a procura pode estar a retornar lentamente para alguns produtos”. A pesquisa conclui também que a produtividade “aumentou de 2015 para 2016 para pequenas e médias empresas, enquanto declinou para as microempresas”.

As exportações são raras na amostra, com apenas 19 empresas a reportar produtos de exportação. A maioria dos proprietários “culpa os altos custos em obter uma licença de exportação como motivo para não o fazer”, acrescenta o estudo.

Outra face do setor espelha a informalidade que ainda reina nas atividades económicas do país: “muitas empresas ainda operam sem uma licença de registo” e “quase metade das empresas tem medo de ser fechada pelas autoridades. O principal motivo para tal é a dificuldade em se adequar às leis”.

“O acesso ao crédito é fortemente restringido, principalmente devido a falta de informação, elevadas garantias bancárias exigidas e taxas de juro também elas muito elevadas”, acrescenta o estudo.

A recolha de dados ocorreu entre julho e setembro de 2017 nas principais áreas urbanas de sete províncias: Cidade de Maputo, Maputo Província, Gaza, Sofala, Manica, Tete e Nampula.

(DW)

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