Em conversas por telefone, chefes de Estado e de Governo da Alemanha, França e Reino Unido sublinham necessidade de convencer Trump a manter o pacto nuclear com o Irão. EUA acusam Irão de apoiar o terrorismo.

A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, conversou este domingo (29.04) por telefone com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, sobre o acordo nuclear do Irão. Os três líderes sublinharam a necessidade de os Estados Unidos permanecerem no pacto.

“Os três reiteraram a disposição de elaborar, num texto mais amplo com a presença de todos os envolvidos, medidas adicionais em relação à duração das restrições nucleares, além de outros temas”, afirmou em nota o porta-voz do Governo da Alemanha, Steffen Seibert. Entre as questões adicionais, o texto cita o programa de misséis balísticos do Irão e o papel do país na região.

Merkel também conversou com Macron e May sobre as relações comerciais com os EUA. Os três concordaram em afirmar que a Casa Branca não deveria tomar medidas de política comercial contra a União Europeia (UE). Caso isso ocorra, defenderam que o bloco adote uma resposta dentro de uma ordem multilateral.

Este sábado (28.04), o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os países europeus criaram a UE para “se aproveitar” dos EUA. “A União Europeia foi formada para se aproveitar dos Estados Unidos”, disse. “Jogo a culpa em antigos presidentes e antigos líderes do nosso país”, afirmou Trump.

Esta semana, Trump recebeu na Casa Branca Merkel e Macron, que foram a Washington com o objetivo de convencer Trump a não se retirar do acordo nuclear com o Irão, assinado em 2015. Os três líderes concordaram em seguir cooperando intensamente nos aspectos abordados.

Acordo falho

Este domingo, o novo secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse em visita à Arábia Saudita que o acordo nuclear com o Irão “falhou” em tornar o Governo daquele país mais moderado. Pompeo repetiu o discurso de Trump de que a Casa Branca irá trabalhar com os aliados europeus para renegociar o acordo nuclear. No entanto, assinalou que os EUA irão se retirar do pacto se não for possível renegociá-lo.

O acordo nuclear foi firmado em julho de 2015 entre o Irão e o chamado Grupo 5+1, composto por EUA, Rússia, França, Reino Unido, China e Alemanha.

O secretário afirmou que, desde a assinatura do acordo, o Irão “tem se comportado pior em muitas áreas”. O novo chefe da diplomacia americana acusou o Irão de ser o maior apoiador do terrorismo no mundo e de desestabilizar toda a região. Pompeo também disse que Teerã promove campanhas de ataques na internet.

Além disso, Pompeo acusou o Irão de apoiar o “regime assassino” do ditador Bashar al-Assad na Síria, e treinar e fornecer armas para os rebeldes houthis no Iémen, violando resoluções da ONU.

“Ao contrário do governo anterior, não seremos descuidados em relação ao terrorismo de amplo alcance do Irão. É de fato o maior apoiador do terrorismo no mundo. E estamos decididos a garantir que nunca possuam uma arma nuclear”, disse Pompeo.

(Lusa)

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