Devido a avarias, população da província no sul de Moçambique está a recorrer a alternativas impróprias para consumo. Apesar de falta de abastecimento, faturas de fornecimento continuam a chegar

Cerca de 40% da população da província de Inhambane, no sul de Moçambique, não tem acesso a água potável, segundo as autoridades locais.

Vários fontanários estão avariados e, como consequência, muitas pessoas têm recorrido a outras vias não aconselháveis, devido à falta de saneamento. Charcos, cegonhas, furos abertos e rios estão a ser usados pela população para conseguirem colmatar as suas necessidades.

Dalmira Luís, uma residente de Maxixe, diz que consome água imprópria para consumo. “Entra a água da chuva e já não anima. Já não dá mais para beber, porque não temos onde ir. Estamos a usar esta água e vêm aquelas pessoas e metem garrafas. Não há água para tomar banho, cozinhar, beber ou lavar”, diz.

Nos distritos onde existe canalização de água potável, os residentes reclamam ter de pagar as faturas sem contudo consumirem o precioso líquido. Sandra Artur, uma cidadã residente no distrito de Homoine, é uma das muitas pessoas que não tem conseguido água suficiente, porque não sai regularmente nas torneiras. No entanto, todos os meses, tem de pagar a fatura de fornecimento.

“Estamos a pedir, por exemplo, duas latas para usar. Não conseguimos fazer nada, porque a água não sai conforme. Nós já reclamamos muitas vezes, dizem que vão arranjar e, quando vêm as faturas, vêm com muitas taxas, enquanto não usamos água”, reclama.

Avarias

Os sistemas de abastecimento de água potável em Inhambane encontram-se avariados. O Governo tem prometido reabilitá-los, mas a promessa demora a ser cumprida. “Tinham colocado bombas para tirar a água, depois estragou-se e nunca mais vieram arranjar. Assim, estamos a tirar [a água] em cegonhas”, diz.

Ricardo Nhacuogue, secretário permanente do Governo provincial de Inhambane, diz que está a ser feito um trabalho junto de parceiros nacionais e internacionais para se ultrapassar este défice de abastecimento.

“No caso vertente, a UNICEF mobilizou cerca de 3 milhões de meticais, incluindo a fiscalização, visando a minimizar o sofrimento nas comunidades. A província de Inhambane apresenta neste momento uma taxa de cobertura de cerca de 59%. Ainda temos desafios em abastecer a nossa população com água potável”, diz.

(Luciano da Conceição (Inhambane))

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here