O papa Francisco pediu, nesta Páscoa, aos cristãos que não se calassem perante as injustiças e se esforçassem por criar caminhos de dignidade, na homilia da vigília pascal de sábado santo.

A cerimónia ocorreu na Basílica de S. Pedro, no Vaticano, na penumbra e em silêncio, simbolizando a dor “perante a morte do Senhor”.

Lembrando as últimas horas de Jesus Cristo e os que ficaram sem saber reagir perante tantas situações dolorosas, os discípulos que ficaram calados após a crucifixação, Francisco fez um paralelismo com os dias de hoje, falando do discípulo de hoje, “sem palavras perante uma realidade que lhe é imposta, fazendo-o sentir, e o que é pior acreditar, que nada se pode fazer para reverter tantas injustiças” que os irmãos sentem na pele.

O papa criticou essa atitude, que cala “a esperança” e leva as pessoas a pensar que “sempre foi assim”, acabando por se banalizar as injustiças.

Lamentando esses silêncios, Francisco sustentou que celebrar a Páscoa “é deixar Jesus superar essa atitude mesquinha que tantas vezes” rodeia as pessoas “e tenta sepultar todo o tipo de esperança”.

Francisco convidou ainda os presentes a refletirem sobre uma pergunta: “Queremos fazer parte deste anúncio de vida ou ficaremos calados perante os acontecimentos?”.

Na homilia, o papa baptizou oito adultos, entre eles um mendigo nigeriano que se tornou herói em Itália depois de ter desarmado um ladrão só com as mãos.

A acção de John Ogah foi noticiada na imprensa italiana, segundo a qual o homem desarmou um ladrão de supermercado e manteve-o agarrado até à chegada da polícia, afastando-se depois por não estar legal no país.

As autoridades acabaram por dar autorização de residência a Ogah (cujos actos corajosos foram gravados pelas câmaras de segurança), que tem agora um emprego na Cruz Vermelha e uma casa, e que teve o apoio do chefe da polícia de Roma para o batismo de hoje.

(SAPO)

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