Patrulha da MINUSCA é alvo de fogos de artilharia em bairro de maioria muçulmana de Bangui, capital centro-africana. Ataque é resposta a reforço militar feito por tropas do Governo e missão da ONU contra grupos armados.

Uma patrulha da missão da ONU na República Centro-Africana (MINUSCA) foi alvo de um ataque de um grupo armado num bairro muçulmano da capital Bangui, divulgaram este domingo (01.04) as Nações Unidas.

Os soldados conhecidos como capacetes azuis ficaram sob fogo de artilharia na noite deste sábado e revidaram os tiros.

“Este ataque foi claramente orientado para atingir os soldados da paz”, afirmou o diretor de comunicação da MINUSCA, Hervé Verhoosel, que não fez referência a eventuais vítimas.

Este é o primeiro ataque contra os capacetes azuis no PK5, um bairro comercial de maioria muçulmana de Bangui, desde o reacendimento da violência naquela zona em finais de 2017.

“Estes ataques mostram a natureza criminosa dos grupos armados no bairro PK5”, acrescentou Verhoosel, relembrando que o líder do grupo envolvido no ataque, Nimery Matar Jamous, tinha alertado, já na passada quarta-feira, que “atacaria os capacetes azuis”.

“Se os capacetes azuis querem uma guerra, precisam apenas avisar os residentes para deixar aquela zona. Então, iremos combatê-los”, afirmou Jamous.

Ameaças

Em finais de março, a missão da ONU ameaçou desmantelar todas as bases dos grupos armados presentes no bairro PK5, acusados de atos de violência e abusos contra os habitantes locais, caso estes não entregassem as armas. As denúncias foram feitas por comerciantes locais que alegam serem alvos de extorsão.

Os grupos armados surgiram durante a guerra civil de 2016 com o objetivo de proteger seus bairros. A aliança muçulmana Seleka tomou o poder em Bangui, mas foi expulsa da capital dez meses depois. Os combatentes muçulmanos fugiram de Bangui ou se refugiaram no bairro PK5.

As autoridades centro-africanas apenas controlam uma pequena parte do território nacional. Num dos países mais pobres do mundo, vários grupos armados disputam províncias pelo controlo de diamantes, ouro e gado.

O conflito na República Centro-Africana eclodiu após o afastamento do poder, em 2013, do então Presidente, François Bozizé, pelas milícias Seleka, que pretendiam defender a minoria muçulmana, desencadeando uma contraofensiva dos anti-Balaka, maioritariamente cristãos.

A instabilidade já causou milhares de mortos, apesar de não ser possível indicar números fiáveis, e obrigou cerca de um milhão de pessoas a abandonar os seus lares.

(LUSA)

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