Estimular a presença massiva de produtos artístico-culturais e estabelecer pontes entre jornalistas com os agentes das artes são as razões que motivam a realização do II Seminário de Jornalismo Cultural, a realizar-se de 26 a 28 deste mês, em Maputo.

Organizado pela SóArte, uma empresa de comunicação, com interesses na área das artes e cultura, e a Associação Iverca, o evento terá as suas actividades centrais no Camões – Centro Cultural Português.

“Queremos eliminar o conceito de artes e cultura como mero lazer”, disse David Bamo, coordenador do projecto, tendo acrescentado que “é preciso reconhecer a relevância destas áreas nos diversos sectores da sociedade”.

David Bamo quer que os assuntos culturais sejam valorizados nos meios de comunicação social, passando estes a ser prioridade na pauta das redacções.
A organização do seminário visualiza a inclusão das artes e cultura nos processos de desenvolvimento humano, social e económico do país.

O coordenador é da opinião de que estes assuntos não podem ser encarados como alheios ao que acontece à sua volta. É nesse contexto que defende também o empoderamento económico dos jornalistas, de forma a mitigar-se a vulnerabilidade a que estes estão muitas vezes expostos.

Entendendo o jornalismo cultural como um espaço que reflecte as identidades de grupos sociais e estimula a emancipação da cidadania através do seu carácter crítico, David Bamo destacou ser pertinente que se discuta a forma como o mesmo é feito.

Assumindo que os órgãos de comunicação social são o meio de transmissão de saberes mais acessível para a maioria das pessoas, a forma como estes actuam é, na sua óptica, assunto que deve ser debatido em conjunto.

No que diz respeito ao jornalismo cultural, em particular, frisou que a sua discussão torna-se ainda mais relevante, sobretudo, num contexto em que uma das agendas do dia é a construção de uma indústria cultural e criativa no país.

“É por essa razão que os nossos painéis são constituídos não só por jornalistas, mas também pelos protagonistas das histórias que os meios de comunicação contam diariamente”, frisou David Bamo.

Espera-se perceber dos produtores, artistas e pesquisadores da área, convidados para o II Seminário de Jornalismo Cultural, conforme disse o coordenador, como é que recebem as mensagens, para o retrato que é feito dos seus trabalhos no jornalismo.

Por outro lado, pretende-se que os jornalistas possam ser dotados de conhecimentos específicos em relação aos actores das suas narrativas, de forma a descortinar novas formas e abordagens a explorar nas suas matérias.

“Jornalismo é uma área de partilha que pode incitar transformações sociais, dai a necessidade de nos abrirmos, de forma a saber como é que somos vistos”, afirmou David Bamo, argumentando que este é um dos caminhos para a melhoria do sector.

Olhando para os efeitos da edição passada, que se realizou, igualmente no mesmo local onde terá lugar a presente edição, o organizador diz notar algumas mudanças no tratamento que se dá às artes na media.

O coordenador do projecto falou igualmente de jornalistas que estão, de forma independente, a criar as suas próprias plataformas, espaços alternativos que permitem criar mais e melhores possibilidades de discussão das artes e dos seus executores. Por outro lado, prosseguiu, dizendo que se nota que os agentes culturais vão ganhando consciência da necessidade de envolver os media nos seus conceitos de curadoria, entre outros aspectos particulares de cada trabalho.

Durante três dias, 26, 27 e 28 do corrente mês estarão em debate as seguintes temáticas: media e cultura: caminhos para desenvolvimento e maior cidadania; conteúdos de arte na media: estética e juízo; cultura para além da arte; negócio da música e cultura e agentes culturais.

Nas apresentações dessas temáticas, será exposto um dos vários exemplos das possibilidades que a internet oferece ao jornalismo cultural, com a mesa que terá como painelistas os jovens jornalistas da plataforma Mbenga: Artes e Reflexões, cujo tema será “Jornalismo Cultural no espaço digital (online). Caso: Mbenga Artes e Reflexões”.

O evento será estendido ainda, depois das actividades centrais, a Nampula e Sofala para formar jornalistas, artistas e funcionários das áreas de arte e cultura em matéria de multimédia para poderem responder aos desafios que se impõem e à exploração das possibilidades que essas ferramentas oferecem para a execução do seu trabalho na actualidade.

(JN)

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