A LAGARTA do funil de milho, que tem vindo a dizimar muitos hectares de milho no país, pode já ter o antídoto para a sua eliminação, de acordo com ensaios feitos pela Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da Universidade Eduardo Mondlane em parceria com a Bayer, entidade provedora dos insecticidas.

O local escolhido foi a Estação Agrária de Chókwè, em Gaza, onde o investigador e docente Domingos Cugala testou a eficácia de dois pesticidas, um denominado Belt e outro uma mistura entre este e a Bulldock, que demonstraram poder controlar a praga. O primeiro é tido como ecologicamente viável, mas extremamente caro, chegando a custar 18 mil meticais o litro.

A alternativa que está a ser equacionada é a redução da dose do Belt, para o combinar com a Bulldock, como forma de se reduzirem os custos, pois se usa 220 mililitros por hectare.

Com esta redução, os estudos ainda carecem de informação mais autêntica em relação aos índices de eficácia, uma vez que se faz a sua combinação com outro insecticida, do qual já se concluiu que sozinho não é eficaz, segundo Domingos Cugala.

Informações indicam que, neste momento, muitos insecticidas estão a ser usados no país para fazer face à esta praga, mas sem sucesso, aparecendo Nampula, Manica, Cabo Delgado e Niassa como exemplos desse fracasso.

O Belt já está registado e pode ser adquirido no mercado, mas já com alguma facilidade, pois os provedores já o apresentam em menores quantidades. O efeito destes pesticidas consiste em acção estomacal, provocando congestão ou perda de apetite à lagarta, fazendo com que ela deixe de continuar a alimentar-se das culturas, enfraquecendo-se e acabando por morrer de fome.

As experiências estão a ocorrer em Chókwè e Maputo, na Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da UEM, havendo ideias de se expandir os ensaios para as restantes províncias. Para o caso de Chókwè, os investigadores esperam obter resultados dentro de cinco meses.

Este é o primeiro ensaio que se faz no país, depois que esta praga eclodiu na passada época agrícola. Decorrem negociações com a Estação Agrária de Chókwè para se repetir a experiência na época seca, pois as manifestações deste insecto são variáveis de acordo com a estação do ano.

A lagarta do funil do milho espalha-se através de borboletas, que espalham ovos nas folhas das plantas. Cada ovo tem a capacidade de produzir cerca de 300 lagartas, que se espalham imediatamente pelas plantas, pois, devido à sua natureza canibal (comem-se uns aos outros), não coabitam na mesma planta, tal como explica Norberto Mahalambe, representante da Bayer, provedora dos produtos químicos para as experiências.

Estudos preliminares indicam que só na época passada houve perda de 27 por cento da produção do milho, em todo o país, num universo de 2.500 hectares, fixando os prejuízos financeiros em 53 milhões de dólares e 14 mil pessoas afectadas. Apesar destes ensaios, os estudiosos não assumem que seja chegado o fim desta praga, pois uma série de outros estudos ainda são necessários.

A lagarta do funil é proveniente da América do Sul e admite-se que tenha chegado a Moçambique através de donativos, concretamente nas enormes quantidades do milho amarelo.

(JN)

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