No dia 14, a artista plástica Imane Kamal Idrissi vai expor a sua nova obra: Perspectiva. A inauguração está marcada para 17:30h, no Auditório do BCI, em Maputo.

Com a nova exposição, como o título sugere, Imane Idrissi pretende apresentar um novo universo, aquele que é assumido pela perspectiva, numa tentativa de revelar a maneira como vê o mundo, afinal, o trabalhão da artista é como um espelho que se inspira no que o rodeia, reflectindo essa realidade em diferentes níveis.

O material utilizado nesta exposição varia entre o óleo clássico e a colagem em tela e é constituída por 20 obras: tela, instalações e duas estátuas. Para que ficasse pronta, Imane Idrissi precisou de um ano de preparação, pintando no seu atelier, em casa, aproveitando o que considera uma soberba vista sobre a baía de Maputo.

Esta é uma forma de homenagear a mulher, num mês que ela celebra o seu dia internacional. No entanto, o capítulo das homenagens não encerra na mulher. Perspectiva contém retratos de dois grandes líderes africanos: “Nelson Mandela e Samora Machel”. Imane explica a preferência: “Ouvi tantas histórias de pessoas que os conheceram, pequenas anedotas, que resultaram numa bela inspiração, que tentei apresentar da maneira mais original para pessoas únicas como elas”.

Confrontada com a questão como é cultivar a sua arte, em termos de imaginação, num país estrangeiro?, a pintora marroquina argumentou: “Eu acredito que ser marroquina ou francesa não importa, porque a linguagem da arte é universal. Um artista, qualquer que seja sua raça ou nacionalidade, ele é sensível a tudo ao seu redor e é inspirado por tudo. Acredito que o que faz a riqueza e a abertura é a diversidade e o intercâmbio das culturas. Por isso, Moçambique e os moçambicanos apreciam também a arte que vem de outros países, e a imaginação de outros artistas que não são necessariamente moçambicanos. A arte não tem nacionalidade, excede todos os limites de raça e língua”.

Diante desta explicação, Imane Idrissi acrescentou que não se sente na condição de estrangeira em absoluto, porque tem sorte de ter bons amigos moçambicanos, que se tornaram sua família. “Eles me adoptaram e, graças a eles, sinto-me em casa. Esta é uma oportunidade incrível, agradeço-lhes por isso. A única diferença é que eu estou inspirada de forma diferente, não acredito que, se eu vivesse na França ou Marrocos pensasse, algum dia, fazer um retrato de Samora Machel.

Por via da sua exposição, Imane acredita que pode fazer as pessoas descobrirem outras perspectivas da arte. E ainda pode se encontrar uma nova técnica artística para autores moçambicanos. “Esta colecção abre o espírito e a alma do artista para nova dimensão das criações”, assegurou Imane.

Como calha em todas as criações, a artista afirma que, nesta, o que lhe deu mais gozo foi a alegria de terminar a obra com o resultado que imaginava antes de começar, “porque há muitas restrições técnicas a serem superadas e para descobrir; decisões a serem feitas, entre uma grande paleta de cores de técnica, de colagem; é uma série de decisões a serem tomadas nas várias fases da criação, que no final tornam esta criação o trabalho esperado. Às vezes cometo erros e vou tentando consertá-los, o que nem sempre é possível, mas tudo isso faz parte do processo de aprendizagem e maturidade artística. Seja como for, vejo nisso uma passagem positiva e inevitável.

A tarefa do curador imane confiou a si própria e ao marido. “Decidimos juntos. Quando se trata de configurar as obras no espaço da galeria, confio no gosto dele”.

A exposição Perspectiva permanecerá no Auditório do BCI até 26 deste mês.

A perspectiva de uma biografia

Imane Idrissi nasceu na cidade marroquina de Casa Blanca. Aos oito anos de idade, já ajudava o seu pai (Nordine Kamal Idrissi), pintor formado em Bela Artes, a preparar as telas. Aos 21 anos, foi docente, no interior de Marrocos. Imane frequentou o curso de Edição e Direcção de Vídeo e Elaboração de Guião, em Casa Blanca e em Marselha (França). Foi Assistente de Director em várias séries de televisão e reality shows, e mais tarde trabalhou como comissária de bordo na companhia área Emirates.

A artista vive em Maputo, onde tem realizado diversos documentários institucionais, dentre os quais o seu mais recente vídeo sobre o abastecimento de água nas comunidades rurais no país.

A sua primeira demostração de arte foi aos 20 anos, numa exposição colectiva com a participação do seu pai e de outros pintores marroquinos.

Em 2016, realizou a sua primeira exposição individual em Moçambique, intitulada “Mulheres”. A segunda exposição foi em 2017, intitulada “Art Shake”, ambas expostas na galeria do Núcleo d’Arte.

Imane Idrissi faz parte da Associação Moçambicana de Artistas e da Associação Moçambicana de Cineastas (AMOCINE), e tem obras expostas em diversas galerias na África do Sul e em Moçambique.

(O PAÍS)

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