No seu primeiro ano como Presidente dos EUA, Donald Trump não fez muitos amigos em África. As suas últimas declarações contra imigrantes causaram indignação no continente. Mas nem todas as opiniões são negativas.

Nas ruas de muitos países africanos, o Presidente norte-americano continua a ser tema de conversa. Na semana passada, numa reunião na Casa Branca para discutir um acordo migratório, Donald Trump usou linguagem vulgar para se referir a países africanos, ao Haiti e a El Salvador – que apelidou de “países de merda” (“shithole countries” em inglês). E perguntou se não seria preferível abrir as portas dos Estados Unidos a cidadãos de países como a Noruega. Mais tarde, o Presidente negou ter usado a polémica expressão.

Muitas pessoas consideram que Trump seja racista e os últimos comentários do Presidente só vieram reforçar essa visão. A indignação já tinha aumentado quando Donald Trump assinou um decreto, em Janeiro de 2017, a proibir a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de sete países maioritariamente muçulmanos, entre os quais o Sudão e a Somália.

Opiniões dividem-se

Muitos africanos têm expressado a sua revolta nas redes sociais. “Esse é o pior Presidente na História dos EUA. O balanço é tão negativo que o país deve escolher bem os seus futuros representantes em vez de um psicopata como esse”, escreveu no Facebook o jovem angolano Bispo Inocêncio Jm Jm.

Já Alberth Garcia, também de Angola, tem uma visão completamente diferente. “Até aqui, o Presidente Donald Trump mostrou ser o verdadeiro homem a favor da verdade. Desmascarou os piores presidentes de África”, respondeu no Facebook.

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Neste momento, “o mundo precisa de um líder como Trump, caso contrário, não haverá respeito”, defendeu também Ismaili Togolani. “Ele tem as suas falhas, mas o que ele fez pela América no ano em que esteve no poder é louvável”, sublinhou.

Apesar destes elogios, a maior parte dos comentários sobre Trump nas redes sociais parecem ser negativos. “Não se pode contar com Trump. Ele é imprevisível”, escreveu Sekou Samake, do Mali.

Barack Mganga Mwanamichezo, de Nairobi, a capital do Quénia, também está desiludido. “Ele não fez nada de substancial pela América, a não ser criar inimigos para o país”, ao contrário de Barack Obama, “que fez coisas das quais não só a América se orgulha, mas também África e o mundo em geral”.

África exige pedido de desculpa

As declarações depreciativas de Donald Trump provocaram reações em todo o continente. Os países africanos na Organização das Nações Unidas (ONU) exigiram um pedido de desculpas do Presidente norte-americano pelos comentários “racistas”.

Vários governos convocaram os embaixadores dos EUA nos seus países. Na África do Sul, o Congresso Nacional Africano (ANC), o partido no poder, classificou o comentário como “extremamente ofensivo”. No Botswana, a chefe da diplomacia, Pelonomi Venson-Moitoi, falou num “terrível golpe” nas relações diplomáticas com os Estados Unidos.

A União Africana (UA) disse estar “francamente alarmada” com as declarações do Presidente norte-americano. A porta-voz Ebba Kalondo considerou as afirmações de Trump inaceitáveis, tendo em conta a realidade histórica e a quantidade de africanos que chegou aos Estados Unidos como escravos.

África não é prioridade

Mas há quem tenha uma visão diferente. “Não considero que a observação de Trump seja errada no caso de muitos países africanos muito mal governados”, diz Frans Cronje, diretor executivo do Instituto Sul-Africano de Relações Raciais, um grupo de reflexão política.

“As decisões políticas que esses governos tomaram para reprimir os direitos humanos e as decisões económicas que mantêm os seus países na pobreza é que fazem deles lugares onde muito poucos críticos de Trump, incluindo jornalistas e ativistas indignados, gostariam de viver”, defende o especialista.

Martina Schwikowski

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