A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) estima em 750 milhões o número de adultos em todo o mundo que carecem das aptidões mais básicas de alfabetização, para além dos 264 milhões de meninos e jovens que não recebem educação escolar.

Além disso, pesquisas internacionais revelam que um grande universo da população adulta e jovem de todo o mundo, inclusive, nos países em desenvolvimento, estão inadequadamente equipadas com as competências digitais básicas necessárias para funcionar plenamente nas sociedades de hoje, bem como no local de trabalho.

Desta feita, a agência da ONU aponta a redução do fosso de competências como imperativo educacional e de desenvolvimento, que deve ser abraçado por todos.

O repto é da directora-geral da UNESCO, Irna Bokovo, por ocasião do Dia Internacional de Alfabetização, efeméride que se assinala hoje em todo o mundo, mas que constitui momento para rever os progressos alcançados e renovar o compromisso para enfrentar os desafios do futuro.

Este ano, a celebração é dedicada a uma melhor compreensão sobre o tipo de alfabetização exigida num mundo digital para construir sociedades mais inclusivas, mais equitativas e sustentáveis. Todos devem poder aproveitar ao máximo os benefícios da nova era digital, dos direitos humanos, do diálogo e do intercâmbio, para um desenvolvimento mais sustentável.

Segundo a directora-geral, as parcerias entre os governos, a sociedade civil e o sector privado são hoje essenciais para promover a alfabetização num mundo digital.

“Considero a Aliança Global para a Alfabetização dentro de um Quadro de Aprendizagem ao Longo da Vida como um modelo dos esforços concertados que precisamos para avançar a agenda global e apoiar as iniciativas nacionais de alfabetização”, disse Bokovo.

A fonte disse, por outro lado, que as tecnologias de informação e de comunicação estão a criar novas oportunidades para fazer frente ao problema. As ferramentas digitais podem contribuir para aumentar o acesso à aprendizagem e melhorar a sua qualidade.

As competências digitais básicas, segundo a fonte, têm o poder de chegar aos que se encontram marginalizados, melhorar a monitoria do progresso e da alfabetização, facilitar a avaliação das competências e aumentar a eficiência da gestão e governação dos sistemas de ensino de competências.

Bokovo disse igualmente ser necessária uma acção colectiva no sentido de criar e aproveitar novas oportunidades para levar avante o preconizado no 4/o Objectivo do Desenvolvimento Sustentável sobre Educação e aprendizagem ao longo da vida para todos.

A alfabetização é tradicionalmente considerada como um conjunto de competências relacionadas com a leitura, a escrita e a aritmética aplicadas a um contexto determinado, segundo o comunicado de imprensa da UNESCO recebido pela AIM.

Através dos meios digitais, as sociedades do conhecimento estão a transformar o que significa estar alfabetizado e exigem um novo nível, mais elevado, dessas competências. Ao mesmo tempo, a tecnologia pode contribuir, por outro lado, para melhorar o desenvolvimento da alfabetização.

As tecnologias digitais estão presentes em todas as esferas da vida e configuram de maneira substancial o modo de vivência, trabalho, aprendizagem e socialização.

As novas tecnologias oferecem novas e amplas oportunidades para melhorar a vida e conectar à escala mundial, mas também podem marginalizar quem carece de competências essenciais, como a alfabetização, e que tem necessidade de as utilizar.

(AIM)

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