A empresa mineira australiana que explora rubis e grafite em Montepuez, norte de Moçambique, sofreu nova baixa na direcção, com a demissão de um administrador não executivo, indicou hoje a companhia em comunicado.

As razões da demissão de Peter Spiers, o administrador não executivo da Mustang Resources Linmited (”Mustang” ou “Company”) (AXM:MUS) que deixou a empresa a 31 de Dezembro último, prendem-se com a vontade em seguir “outros interesses empresariais” no mesmo sector.

Esses interesses, segundo o comunicado, incluem a possibilidade de desempenhar funções de direcção numa empresa pública moçambicana ligada ao sector mineiro, intenção que foi comunicada à Mustang pelo próprio Peter Spiers.

A resignação de Peter Spiers, lê-se no documento, reduziu de quatro para três o número de administradores da empresa, embora a Mustang esteja já no terreno para que, dentro de três a quatro semanas, o Conselho de Administração seja reposto.

A demissão de Peter Spiers é a segunda em mês e meio, depois de, a 13 de Novembro de 2017, o director executivo da Mustang, Christiaan Jordaan, ter resignado ao cargo, justificando a decisão por “razões pessoais”.

A demissão de Jordaan aconteceu depois de os resultados do primeiro leilão de rubis, realizado no início de Novembro, terem ficado abaixo das previsões, segundo anunciou também a empresa.

Como resultado, as acções na bolsa de valores, em Sidney, caíram então de um máximo de 18,5 cêntimos de dólar australiano, em meados de Outubro, para 3,7 cêntimos – menos 80%.

Apesar de a produção da mina de Montepuez ter superado as expectativas, o baixo valor de vendas obrigou a empresa a rever os planos de investimento previstos para 2018 em Moçambique.

A 13 de Setembro do mesmo ano, a Mustang anunciou que estava a extrair mais rubis que o esperado das minas de Montepuez.

“O crescimento substancial do inventário [de rubis] da empresa decorre das taxas de produção recorde no projeto Montepuez Ruby em Moçambique”, referiu a empresa.

A Mustang previa vender em concurso fechado, a 27 de Outubro, 200.000 quilates de rubi, mas já chegou a 277.852 quilates, prevendo que possa exceder confortavelmente 300.000 naquela data, mas os preços ficaram aquém do esperado.

Um quilate de pedras preciosas representa uma massa igual a duzentos miligramas.

O Projeto Montepuez consiste em quatro licenças que cobrem 19.300 hectares junto ao maior depósito de rubis do mundo, descoberto pela multinacional Gemfields, em 2012.

Considerando que o fornecimento de rubis de outras origens que não Moçambique se tornou “pouco fiável”, a Mustang pretende “capitalizar a corrente procura mundial por rubis produzidos eticamente, tornando-se um fornecedor confiável e consistente”, anunciou a empresa.

(AIM)

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