A captura de “kapenta”, um tipo de peixe com alto valor comercial, está em vias de colapsar na albufeira de Cahora Bassa, devido à invasão de pescadores ilegais, com enfoque para os congoleses, tanzanianos, zambianos e zimbabwianos, bem como ao uso de redes mosquiteiras por artesanais.

O alerta vem de alguns proprietários de empresas envolvidas na pesca semi-industrial, os quais apelam às autoridades governamentais para aperto do cerco contra os infractores e endurecimento das medidas de fiscalização, sobretudo na calada da noite, período em que este recurso pesqueiro é capturado.

A albufeira de Cahora Bassa é artificial, feita no rio Zambeze para garantir o armazenamento de água para a produção de energia.

Operam na captura semi-industrial de kapenta 250 embarcações legais, mas este número é bastante superado com o envolvimento de barcos dos pescadores ilegais.

O “Diário de Moçambique” entrevistou o director-geral da empresa Mozambezi, Kurt Heyns, o qual explicou que a pesca de kapenta está seriamente ameaçada, devido aos pescadores ilegais, razão pela qual se deve intensificar a fiscalização, sobretudo no período nocturno, porque este tipo de peixe só é capturado à noite.

“Corremos o risco de fecharmos todas as empresas, devido ao desaparecimento de kapenta, pois os pescadores ilegais estão a delapidar este recurso” , afirmou, acrescentando que “outro problema é do uso de artes nocivas, como as redes mosquiteiras”.
“Por isso, propomos que sejam tomadas as devidas medidas para permitir melhor gestão desta albufeira”, disse.

Kurt Heyns argumentou que “estamos em baixo, em termos de produção. Só a título de exemplo, das 60 toneladas de kapenta planificadas por cada mês, só conseguimos 20 ou mesmo abaixo disso. Se a situação prevalecer assim, vamos à bancarrota, pois muitas empresas vão fechar as portas”.

Na óptica do director-geral da Mozambezi, para que aquele recurso pesqueiro não desapareça, deve ser implementada uma gestão eficaz e eficiente na albufeira de Cahora Bassa. “É que a albufeira está a ser pressionada de tal maneira que nos próximos anos não teremos o peixe kapenta. Devemos ter em conta isso. Por isso, é nossa sugestão que sejam tomadas as devidas medidas desde já, para garantirmos que as futuras gerações usufruam deste recurso”, anotou.

O entrevistado do ‟Diário de Moçambique” alertou que existem na albufeira de Cahora Bassa mais de 200 barcos que captura kapenta ilegalmente. “Conforme o levantamento feito, concluiu-se que para a captura de kapenta deveriam ser até 250 embarcações, mas existem outras 200 ilegais que exercem a pressão sobre esta albufeira. Entendemos nós que este recurso pesqueiro está a ser sufocado”, frisou.

Se a captura de kapenta entrar em colapso, alertou Kurt Heyns, pelo menos quatro mil trabalhadores perderão emprego, na medida em que as empresas pesqueiras fecharão as suas portas. “Estimamos em mil pescadores artesanais que capturam kapenta, usando as artes nocivas. Por isso, a população de peixe está a reduzir”, acrescentou.

“Nos últimos tempos estamos a capturar apenas uma caixa de kapenta. Nos tempos passados, quando a pescaria estava nos bons momentos, fazíamos 110 caixas por cada barco. Agora as outras empresas nem conseguem pagar os salários aos trabalhadores, ficando três a quatro meses em dívidas. A situação é deveras preocupante” – sublinhou o director-geral da Mozambezi, empresa associada a outras três firmas do mesmo ramo de actividades.

O proprietário da empresa Pescas LC, Leonardo Steven, disse que para salvar o peixe kapenta, é preciso que haja uma fiscalização e gestão eficazes na albufeira de Cahora Bassa.

“Estamos a matar a albufeira de Cahora Bassa, porque a pressão que exercemos sobre ela está a ultrapassar a medida. É que há um certo número de embarcações que devem pescar, mas aparecem outras embarcações de ilegais, que não são sancionadas. O resultado disso é que o recurso está a escassear. Estamos a notar isso nos últimos tempos”, explicou Steven.

O entrevistado, que possui cinco embarcações e 48 trabalhadores, afirma que “precisa-se fiscalização armada, porque os pescadores ilegais também estão armados e constituem grande perigo”.

Entretanto, para travar a captura ilegal de peixe kapenta, envolvendo congoleses, tanzanianos, zambianos e zimbabwianos, e não só, na albufeira de Cahora Bassa, a fiscalização passou a ser feita por meio de binóculos, ora entregues recentemente pelo vice-ministro do Mar, Águas Interiores e Pescas, Henriques Bongece, ao sector na província de Tete.

O informe do Governo provincial, apresentado há dias pelo governador Paulo Auade, anota que a produção de kapenta, na pescaria semi-industrial, registou uma realização de 6.037 toneladas, das 15 mil planificadas, representando uma realização de 39%.

(AIM)

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