O vice-Presidente cessante Joseph Boakai e o ex-jorgador de futebol George Weah enfrentam-se após denúncias de irregularidades eleitorais e adiamento da segunda volta.

Na Libéria, o vice-Presidente cessante Joseph Boakai disse, este domingo (24.12), que está “muito confiante” na vitória na segunda volta das presidenciais, que vai ocorrer hoje (26.12). A votação marca a primeira transição democrática do país desde 1944.

Em entrevista à agência de notícias AFP, o candidato disse também que “esperava” que, apesar de infrutíferas, as denúncias apresentadas ao Supremo Tribunal tenham promovido mudanças na comissão eleitoral – acusada pelo partido governista de fraude e incompetência.

“Essa é a responsabilidade da comissão e um dever nacional, e pedimos que eles tornem as eleições livres, justas e credíveis”, acrescentou.

Na votação que elegerá o sucessor da Presidente Ellen Johnson Sirleaf, o vice-Presidente cessante enfrentará nas urnas o senador, e ex-jogador de futebol, George Weah.

Incialmente, a votação estava marcada para 7 de dezembro. Entretanto, devido a denúncias de supostas irregularidades eleitorais na primeira volta, realizada a 10 de outubro, o Supremo Tribunal decidiu remarcar o dia do escutínio.

Na primeira volta, que teve uma taxa de participação de 75% dos eleitores, ambos os candidatos não conseguiram obter mais de 50% dos votos. Weah obteve 39%, à frente de Boakai, apoiado pelo Partido Unido (UP, no poder), com 29,1%, com os restantes 18 candidatos a dividirem o resto dos votos.

Boakai promete mais infraestrutura e menos pobreza

Além de acusar a comissão eleitoral de fraude, o vice-Presidente cessante também acusou a Presidente Ellen Sirleaf, membro do seu próprio partido, de apoiar Weah – facto reforçado depois de um evento público realizado pela Presidente e pelo futebolista na passada quinta-feira.

Apresentando-se como um homem que transcendeu suas origens humildes, Boakai tentou criar uma imagem mais enérgica depois de obter o título infeliz de “Sleepy Joe” (Joe dorminhoco, na tradução livre) por sua propensão a adormecer em eventos públicos.

Boakai, de 72 anos, promete investir em infraestrutura e aliviar a pobreza extrema ainda sofrida pela maioria dos liberianos. “Precisamos assegurar às pessoas que, desta vez, vão ver o progresso, que verão a corrupção desaparecer”, disse o candidato à AFP.

Weah quer mais educação e emprego

Primeiro africano a ganhar o troféu de jogador do ano da FIFA e o Ballon d’Or, Weah esteve por muito tempo ausente da Libéria durante o período da guerra civil de 1989-2003, jogando numa série de times europeus de alto nível, incluindo o Paris Saint-Germain.

Depois de concorrer à Presidência em 2005, quando foi derrotado pela Presidente Ellen Johnson Sirleaf, Weah diz que “ganhou experiência” desde que se tornou senador em 2014.

Em 2011, mais uma derrota nas urnas. Destas vez como candidato à vice-Presidência junto com o candidato presidencial Winston Tubman. Entretanto, este episódio deu a Weah mais destaque no cenário político. Muitos eleitores, principalmente os mais jovens, apostam que desta vez ele será Presidente.

Aos 51 anos de idade, o candidato apresenta a educação, criação de emprego e infraestrutura como prioridades do seu Governo.

Votação

A União Europeia, a União Africana e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) mobilizaram missões de observação para garantir que as eleições sejam realizadas em circunstâncias livres e justas.

Esta será a primeira votação totalmente supervisionada pela polícia e pelo Exército da Libéria, sem o apoio das forças de paz da ONU. Em 2011, a contestação dos resultados das eleições resultou em violência.

Os resultados provisórios oficiais são esperados dentro de 48 horas. O novo Presidente deverá ser empossado no dia 22 de janeiro.

A braços com uma crise económica e social significativamente agravada após a epidemia de ébola, em 2014, a Libéria tenta, aos poucos, se recuperar da violenta e devastadora guerra civil, que fez mais mais de 250 mil vítimas mortais.

(Lusa)

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