A Organização dos Trabalhadores de Moçambique -Central Sindical, (OTM-CS) considera que as exigências de experiência profissional e de língua inglesa para acesso ao emprego, impostas por empregadores no país, para além de representar um obstáculo e perigo ao desenvolvimento e o futuro do país, são inconstitucionais e defende a sua abolição.

Em entrevista a edição de hoje do “Diário de Moçambique” o coordenador nacional de pesquisa na OTM-CS, Florêncio Quetane, precisou que em Moçambique a língua oficial é português e as exigências da língua inglesa e anos de experiência estão a contribuir para o desemprego para juventude que constitui a maioria da população. Como resultado, são elevados os índices de criminalidades e conflitos entre empresas.

Segundo revelou, as estatísticas oficias indicam que o desemprego situa-se em 30 por cento e afecta jovens candidatos pela primeira vez, que não conseguem ingressar por não reunir requisitos exigidos por empregadores.

Ele disse que para reverter o cenário estão em curso actividades que visam coagir o Governo a impor medidas as empresas privados a retirar estes requisitos.

Os sindicalistas são de opinião que o Governo deve introduzir o inglês no ensino como segunda língua oficial, olhado para o contexto de integração regional e globalização.

Quetane estava na cidade central da Beira para participar no seminário provincial de divulgação do relatório denominado Juventude e emprego.

Sobre o relatório, Quetane disse que, numa primeira fase, foram analisados 157 concursos públicos lançados em jornais de maior circulação e constou-se que cerca de 22, 3 por cento das instituições exigiam experiências profissional de pelo menos três anos, e 21, 7 por cento citavam cinco anos e 81 por cento condicionavam ao conhecimento de língua inglesa.

A fonte precisou que perante as vicissitudes, os sindicalistas viram ser importante fazer um estudo sobre implicações da exigência para perceber a sua pertinência enquanto pré-requisito. O resultado do estudo serviu de base para formulação de políticas de emprego juvenil em Moçambique.

‘Foi daí que avançamos para elaboração de um estudo sobre implicações destas exigências e analisamos vários documentos. Foram inquiridos 362 jovens, o que serviu de uma amostra de 300 mil jovens. Neste momento estamos em todas as províncias a divulgar o documento’, referiu.

A fonte disse ser tarefa dos empregadores, depois da contratação de mão-de-obra, investir na formação dos seus recursos humanos com vista a aumento da produtividade.

‘Como é que um jovem recém-graduado vai ter uma experiência de três a cinco anos. Achamos que o Governo deve intervir e convencer aos empregadores privados a apostar em estágios pré-profissionais à luz da legislação em vigor, como uma medida activa do emprego e um meio de conciliar os conhecimentos teóricos e práticos. Segundo disse, o estudo foi extensivo aos empregadores e instituições públicas’, elucidou.
(AIM)

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