A Líbia aceitou esta quarta-feira a retirada de emergência dos emigrantes vítimas dos traficantes de pessoas, após um acordo entre dirigentes de nove países europeus e africanos, com a participação da ONU, da União Europeia e da União Africana, anunciou o presidente francês.

Esta decisão foi tomada durante “uma reunião com a UE, a UA, a ONU, Alemanha, Itália, Espanha, Chade, Níger, Líbia, Marrocos e Congo”, afirmou Macron à imprensa, à margem da cimeira Europa-África em Abidjan.

Depois do escândalo internacional gerado pela difusão de imagens de um mercado de escravos na Líbia, a imigração tornou-se o tema central da cimeira.

Na reunião, solicitada pela França, os dirigentes “decidiram uma acção de extrema urgência para evacuar da Líbia quem quiser ser evacuado”, acrescentou.

“A Líbia reiterou o acordo para identificar os acampamentos onde foram cometidos actos bárbaros. O presidente Sarraj deu o seu aval para que se garanta o acesso”, informou.

“Se decidiu por parte da UE, da UA e das Nações Unidas um apoio crescente à OIM (Organização Internacional de Migrações) para ajudar no regresso aos países de origem dos africanos que o quiserem.

A União Africana vai instaurar uma investigação, disse Macron.

Promessas vazias

Na abertura da cimeira, o presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, alertou os jovens para que “não se lancem numa aventura que coloque as suas vidas em risco”.

Na África, cerca de 60% da população tem menos de 25 anos, e centenas de milhares de jovens desesperados pelo desemprego, pela pobreza e pela ausência de perspectivas nos seus países, apesar das invejáveis taxas de crescimento de alguns deles, tentam emigrar para a Europa anualmente.

“Essa cimeira deve ser o ponto de partida de uma acção determinada contra esta tragédia” da imigração e suas consequências, disse o presidente da Comissão da União Africana (UA), Moussa Faki.

A Amnistia Internacional pediu aos dirigentes africanos que “acordem”.

“Há anos que denunciamos como os migrantes na Líbia são vítimas de detenção arbitrária, de tortura, estupros e exploração”, disse a organização.

A directora para África da organização não governamental ONE, fundada pelo cantor Bono, pediu a dirigentes da UA e da UE que invistam no desenvolvimento de longo prazo.

“As promessas vazias não vão criar os 22 milhões de novos empregos que a África precisa a cada ano”, disse.

AFP

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