Os parceiros de cooperação garantiram incondicionalmente esta quarta-feira, em Quelimane, capital da província moçambicana da Zambézia, a sua disponibilidade para continuar a disponibilizar recursos financeiros em prol de acções programáticas ora em curso sobre a promoção de campanhas de sensibilização contra os males que afectam a rapariga no país.

O compromisso conjunto foi avançado pelo alto-comissário do Canada, Antoine Chevrier, e pelo representante da embaixada da Suécia, Mikel Elofonsson, ambos acreditados em Moçambique, na abertura da Conferência Nacional da Rapariga, cujo termo está previsto para quinta-feira.

“Vamos continuar assegurar diferentes linhas de financiamento a longo prazo, mercê da relação bilateral com governo moçambicano que dura já há mais de 40 anos”, disse.

Chevrier referiu que a problemática de casamentos prematuros, gravidez precoce, abandono escolar estão entre alguns males retraem os avanços da rapariga, daí a necessidade de envolvimento de todos na advocacia das famílias.

Disse ainda que o governo do Canadá aprovou novos projectos em 2016, parte dos quais estão sendo implementados em algumas províncias do país, sobretudo na Zambézia e Nampula onde a situação da rapariga é crítica.

“Além dos programas, queremos diálogo político com as autoridades moçambicanas, as organizações da sociedade civil e com todos outros parceiros internacionais para, em conjunto, delinear mecanismos de reformas da legislação moçambicana, mormente a lei da família e do código penal, por exemplo”, afirmou o diplomata.

Instado a pronunciar-se sobre a disponibilidade financeira para viabilizar os programas, Chevrier revelou estarem disponíveis cerca de 67 milhões de dólares canadianos, cuja parte deste montante já está sendo alocado para as actividades já em curso.

“Não temos cifras exactas porque temos alguns projectos em curso e outros ainda por começar, mas geralmente a cooperação canadiana em Moçambique tem um desembolso anual estimado em pouco mais de 67 milhões de dólares, referiu o diplomata, acrescentando que grande parte deste montante será canalizada aos programas de advocacia sobre a necessidade da redução da desigualdade do género no acesso à educação, saúde e outros benefícios socioeconómicos.

“Estou satisfeito com o nível de execução de actividades. Está a surtir efeitos positivos, com maior enfoque para os beneficiários treinados na componente de saúde nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Zambézia”, anotou.

Tanto Chevrier quanto Mikel Elofonsson convergiram na constatação segundo a qual Moçambique regista avanços significativos em relação ao quadro político legal e institucional, no que concerne a questões do género.

“Relativamente aos casamentos prematuros, reconhecemos que o país tem demonstrado um elevado compromisso para eliminação deste mal e na participação activa na aprovação da legislação atinente, a nível da região austral África”, afirmaram.

Não obstante, realçaram que persistem ainda alguns desafios que requerem maior atenção para remoção de barreias legais que encorajam os pais a incentivar a rapariga a constituir família em tenra idade.

Segundo o Inquérito Democrático e de Saúde (IDS-2011), cerca de 48 porcento de raparigas com idade entre 20 e 24 anos de idade casou-se antes de completar 18 anos e, 14 porcento, antes de atingir os 15 anos de idade.

(AIM)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here