Governo provincial de Inhambane, ordenou encerramento de cursos no Instituto Politécnico Ciências de Saúde, Gestão e Tecnologia por falta de condições materiais e pedagógicas. A medida afecta mais de 300 estudantes.

Com base num despacho do governador da província de Inhambane (sul de Moçambique), Daniel Chapo, o Instituto Politécnico das Ciências de Saúde, Gestão e Tecnologia, na cidade da Maxixe, decidiu encerrar os cursos de enfermagem geral e enfermagem de saúde materno infantil, por falta de condições materiais e pedagógicas para ministrar as disciplinas.
A DW África não conseguiu falar com o governador de Inhambane, mas a porta-voz do governo provincial, Assissa Carimo, alertou que a instituição até poderá vir a fechar as suas portas brevemente. Para que tal aconteça, aguarda-se somente os resultados de um relatório multissetorial que está a ser redigido por uma equipa especializada.
“Nas anteriores sessões do governo provincial, foi criada uma equipa de trabalho com a missão de se inteirar da situação desse instituto. Um relatório será apresentado na próxima sessão na qual deverá ser tomada uma decisão final. Tudo indica que as condições não estão reunidas para que o instituto continue a funcionar em pleno”, disse a porta-voz.

Estudantes deixam de frequentar estágios

Andrade Maurício, diretor distrital da saúde em Maxixe, disse, à reportagem da DW, que os estudantes dos cursos de enfermagem geral e de saúde materno infantil deixaram de frequentar os estágios profissionais nas unidades sanitárias a partir da altura em que receberam a nota da direção provincial de saúde, citando a decisão do governador.
“Enviamos a carta a todas unidades sanitárias e inclusive ao Hospital Rural de Chicuque para suspenderem as formações uma vez que se trata de uma decisão do governo provincial. Tenho a certeza que algumas irregularidades foram constatadas e então tivemos que cumprir a decisão que é de interromper os estágios ligados a algumas formações. Mas os estudantes podem continuar a frequentar outros cursos, nomeadamente, os da nutrição e da medicina preventiva”, falou.

Falta de informação

Muitos estudantes que deixaram de frequentar os estágios, acusam a direção do instituto de não lhes fornecer todas as informações, para além de lamentarem o pagamento das propinas mensais mesmo sem frequentar as aulas.
Mensalmente, cada estudante tem que desembolsar três mil e duzentos meticais (cerca de 40 euros) e mil setecentos e cinquenta meticais (cerca de 18 euros) para frequentar um estágio.
Luciana Rodolfo é estudante daquela instituição de ensino e revelou à reportagem da DW que “até então não temos nenhuma informação oficial, embora continuemos a pagar as mensalidades exigidas para a frequência dos estágios. Mesmo sem frequentar as aulas e os estágios, temos de pagar as mensalidades. No meu caso, só precisava fazer um estágio para terminar a formação e depois receber a graduação em dezembro”.
O diretor adjunto pedagógico do Instituto Politécnico das Ciências de Saúde, Gestão e Tecnologia em Maxixe, José Abrão, não quis prestar qualquer depoimento sobre o assunto, alegando não estar autorizado a falar à imprensa.

Luciano da Conceição (Inhambane)

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