Os países produtores de açúcar na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) consideram o mercado regional uma das alternativas à iminente saída do Reino Unido da União Europeia (UE), onde comercializavam grande parte dos seus volumes de produção anual.

A convicção foi expressa hoje durante os debates da Conferência da Federação dos Produtores de Açúcar da SADC (FSSP), a decorrer em Maputo para discutir o tema “Brexit – as implicações da saída do Reino Unido da União Europeia (EU) para os exportadores de açúcar da SADC para o mercado europeu”.

Segundo o estudo apresentado na conferência, a União Europeia é o terceiro maior produtor de açúcar e o segundo maior consumidor do mundo, porém a iminente saída da Inglaterra é, por si, uma clara ameaça aos países da SADC que, durante anos, tiveram mercado lucrativo na venda de açúcar.

O estudo aponta a UE como destino de 30 por cento das exportações de açúcar da SADC e 25 por cento das importações, cifras que com a consumação do Brexit podem registar uma forte redução com sérias implicações nas economias dos países e o risco de concorrência de países como a China, Índia e outros dos BRICs.

Ainda no quadro das constatações do estudo, a saída da Inglaterra pode provocar um aumento em 30 por cento da produção do açúcar na UE, no quinquénio 2017/21, até porque a partir de Outubro próximo a União Europeia vai eliminar as quotas, com consequências para as economias do bloco regional.

O vice-Ministro da Indústria e Comércio, Ragendra de Sousa, que discursava durante a sessão de abertura do encontro apontou a necessidade de tanto o país quanto o bloco regional reflectirem a fim de diversificar o mercado, sobretudo face a nova realidade, porquanto o mundo não acaba na União Europeia, havendo outros parceiros.

“Quero desafiar os participantes a fazer uma reflexão profunda sobre o tema”, apontando que, até ao momento, “a indústria açucareira já gerou, no ano em curso, 41 mil postos de trabalho, directos e indirectos, montou um serviço adstrito a indústria, infra-estruturas ferro portuárias e contabilizamos cerca de 90 milhões de dólares em exportações”.

A indústria açucareira nacional emprega mais de 35 mil trabalhadores, sendo efectivos e sazonais, constituindo, portanto, o segundo maior empregador depois do Aparelho do Estado e, através do efeito multiplicador, o número de moçambicanos dependentes da indústria açucareira atinge 150 mil concidadãos.

A nível da região, acrescentou o governante, a indústria do açúcar desempenha, uma vez mais, um grande contributo para a geração de emprego e fixação das populações nas zonas rurais.

Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Açúcar de Moçambique (APAMO), Rosário Cumbe, o maior mercado que os países devem olhar é mesmo o mercado regional.

“Temos de olhar para nós próprios como SADC e começarmos a pensar na criação desse mercado”, disse Cumbe que é igualmente administrador delegado da “Tongaat Hulett”, gestora da Açucareira de Xinavane, província de Maputo.

O mercado da SADC, com um défice na ordem de dois milhões de toneladas, oferece, segundo a fonte, um vasto universo de consumidores em países como Angola, Tanzânia e RDCongo só para apontar alguns exemplos.

Moçambique, com uma capacidade instalada para produzir 550 mil toneladas de açúcar, produz 460 mil toneladas. O consumo anda na ordem de 220 mil toneladas, todavia o grande desafio agora, segundo Cumbe, é exportar mais e tirar mais-valia para o país.
(AIM)

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