Dados oficiais apontam que, nos últimos dois anos, casos de malária, em Gorongosa, província de Sofala, fizeram cinco óbitos.

Refira-se que parte da população do distrito de Gorongosa, epicentro do conflito armado, ora em trégua, desde Dezembro do ano passado, recorreu a curandeiros e igrejas para se curar de diversas enfermidades, com destaque a malária. Esta informação foi fornecida pelas próprias vítimas do conflito, ontem, em Satungira, a este jornal, durante a campanha de distribuição de redes mosquiteiras, ora em curso no país. Frederico Volante, um dos líderes comunitários do posto administrativo de Vunduzi, em Gorongosa, referiu que, dado o conflito, “pernoitámos nas matas e ao relento durante meses, expostos a vários tipos de insectos, com destaque para os mosquitos. Contraímos várias doenças, incluindo malária, e como não podíamos sair para os centros de saúde, que aliás nem estavam operacionais, dada a tensão militar, a solução era ir aos curandeiros à busca da cura ou às igrejas improvisadas nas matas. Perdemos muitos parentes, porque, no lugar de melhorarem, alguns morriam. Felizmente, tudo está terminado e esperamos que esta trégua traga uma paz efectiva”.

Jerónimo Langa, director dos Serviços distritais de Saúde, Mulher e Acção Social, reconheceu que em algum momento o seu sector perdeu o controlo da situação. É neste sentido que o posto administrativo de Vunduzi, em Gorongosa, foi a região escolhida pelo sector de saúde para acolher a campanha de distribuição de redes mosquiteiras.

Chico Farnela, director provincial de Saúde em Sofala, falando em representação da governadora, exortou a população a procurar sempre a medicina convencional para o tratamento da malária e apostar nas medidas de prevenção.

Farnela garantiu que há redes suficientes para todos, incluindo os guerrilheiros da Renamo. Em Sofala, serão distribuídas mais de um milhão e meio de redes mosquiteiras, que irão beneficiar cerca de 550 mil agregados familiares.

(O PAÍS)

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