Na província do sul de Moçambique, os escultores dizem-se esquecidos pelo Governo que, afirmam, só se lembra dos artistas em eventos do seu interesse.

O escultor Izidro Banze, de 40 anos, já conta 17 anos de carreira no posto administrativo de Chidenguele, a 70 quilómetros da capital provincial, Xai-Xai, no sul de Moçambique. Mesmo sem o apoio do Governo e sem oportunidades para expôr as suas obras de arte em madeira, à sua maneira, afirma, tem estado a retratar o dia-a-dia e a história do povo moçambicano.
Faz o trabalho junto às bermas da Estrada Nacional 1, onde funciona a sua galeria. “Até agora, o Governo não me apoiou. Mas conhecem-me, porque quando me querem usar, isto é, quando chega o Presidente e durante os festivais, vêm-me buscar a Chidenguele e levam-me para Xai-xai”, diz Izidro Banze.
“O único apoio que reconheço é a alimentação que me oferecem. Mas nunca aconteceu receber outra ajuda para o meu trabalho ir em frente”.
Izidro gostaria que o Governo o aproveitasse para a transmissão de conhecimento artístico aos mais novos. “Na minha zona, em Chidenguele, já ensinei pessoas que hoje, com a sua produção artítica, sustentam as famílias. Se o Governo me apoiar, tenho força para ensinar milhares de artesãos do futuro”, garante.

Problemas logísticos

Na segunda quinzena de julho, a cidade de Xai-Xai acolhe o 13º Festival Nacional dos Jogos Escolares. O evento, visto por Izidro como uma oportunidade de exposição, juntará mais de dois mil atletas, técnicos e dirigentes desportivos do sector da Educação e Desenvolvimento Humano do país.
No entanto, diz o artista, até agora não recebeu qualquer convite, quando faltam apenas duas semanas para o festival.
A título individual, diz o escultor, não é capaz de avançar para expor parte das trinta grandes peças disponíveis na sua galeria. Faltam condições logísticas.

Governo reconhece problemas
Justino Chizango, diretor provincial adjunto da Cultura e Turismo em Gaza, considera legítimas as preocupações dos escultores. Segundo o dirigente, o Governo da província já trabalha para que todos os artístas tenham um espaço para exporem as suas obras.
“Em coordenação com uma empresa de consultoria da cidade de Maputo, estamos a mobilizar fundos para a edificação da feira provincial de arte e artesanato na cidade baixa de Xai-Xai, no mira rio próximo ao clube ferroviário de Gaza”, explica Chizango.
Enquanto não for mobilizado o dinheiro, os 168 artistas arrolados em toda a província de Gaza estão entregues “ao Deus dará” mas, segundo o diretor provincial adjunto da Cultura e Turismo, o sector tem estado a minimizar o problema, levando vezes sem conta alguns escultores, entre outros artesãos, para exporem as obras na feira internacional de Maputo-FACIM, promovida anualmente.
“A Galeria da Casa Provincial da Cultura faz muito, alberga obras de vários artistas da província, pensamos que é algum esforço que está a ser empreendido pelo Governo face às dificuldades”, sublinha Justino Chizango.
A almejada feira provincial de arte e artesanato de Gaza, que não se sabe quando chegará, está orçada em duzentos milhões de meticais, equivalentes a 3,3 milhões de dólares.

(DW)

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here